Istambul um país que respira as tradições da sua antiga cultura

Dec 31, 1969
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A mágica cidade de Istambul é o roteiro ideal para mergulhar nas tradições da sua antiga cultura. A cidade de 10 milhões de habitantes – conhecida no passado como Bizâncio e Constantinopla – foi o histórico ponto de encontro de dezenas de culturas do Velho Mundo.

Dividindo-a está o Estreito de Bósforo, a pouco mais de 1 km do ponto onde Europa e Ásia se encontram. Por sua localização, Istambul é, acima de tudo, um lugar para negócios. Ou seja, lá você pode encontrar qualquer coisa que precise. Ou essa coisa simplesmente encontrará você.

No bairro antigo

O Grande Bazar é uma imperdível atração de Istambul, TurquiaPelas ruas vendedores tentam engatar uma conversa. Se eles tiverem sucesso, o convidam para tomar um chá e tratar de negócios na loja. Não se ofenda com essa abordagem porque é um costume antigo.

O quarteirão mais antigo é chamado Sulanahmet, que data de 660 a.C. É circundado por um muro da era romana, com pequenos e confortáveis hotéis e sete colinas, cada uma com uma mesquita no topo. O bairro é agradável, imponente e leva você a uma incrível volta ao passado.

Para explorar o lugar considerado Patrimônio Mundial pela Unesco, é melhor começar pela Basílica de Santa Sofia, uma catedral erguida pelo imperador romano Justiniano no ano de 537, com magníficas abóbadas. Até 1453, era a igreja mais impressionante do mundo, até que o conquistador Maomé II tornou-a a maior mesquita do Islã.

Do mesmo tamanho da Santa Sofia e ainda mais elegante é a Mesquita Azul, à qual se chega cruzando um parque repleto de fontes. A finalização do passeio pode ser feita em outra jóia das redondezas, o Palácio Topkapi, lar histórico de sultões otomanos. Sem uma visita guiada, é fácil ficar perdido ali por dias.

Em uma das paradas, experimente um kebab de cordeiro – prato tradicional do país, com finas fatias de carne.

Hora de barganhar

Mãe e filha artesãs trabalham com um tear em casa. Hereke, Turquia

Visto de qualquer rua ou viela, o Grande Bazar parece um lugar anônimo: um arco de mármore ao lado de um alto muro de pedra. Com suas 3.300 lojas alinhadas ao longo de milhares de passagens de pedra e mármore aguçam os sentidos dos visitantes.

Vêem-se multidões de locais e turistas em um mundo de luzes brilhantes, jóias de ouro, narguilés, antiguidades de bronze, bonés, diamantes falsos, camisas de futebol, caixas eletrônicos, casas de câmbio, mesquitas, mapas antigos, restaurantes, safiras, rubis, jaquetas de couro turco, souvenires...

Todo mundo no Grande Bazar está sempre ativamente vendendo, comprando ou barganhando. O constante burburinho do comércio – essência de Istambul – não pára de ecoar nos telhados arqueados.

O segredo para aproveitar bem as compras é encontrar vendedores que você goste e com quem possa pechinchar. Faz parte do negócio, e acredite ou não, pechinchar o ajuda a fazer amigos.

Algumas tendas oferecem caríssimos tapetes de seda pura, feitos à mão e perfeitos para serem pendurados, mas muito finos para o chão. Outras exibem tapetes de algodão ou lã a preços razoáveis, com motivos florais, brasões ou formas geométricas copiadas de tapetes antigos.

Os vendedores explicam que cada tapete tem forma e característica únicas, dos mais refinados aos mais rústicos. Os mais finos, com meticulosos arabescos, medalhões ou delicados ornamentos eram feitos para a realeza e para a alta sociedade. Os tapetes com cores primárias e vibrantes e repetitivos desenhos caleidoscópicos, com agradáveis irregularidades, são tipicamente tapetes tribais. 

Tapetes industrializados

Outro roteiro é a Capadocias, loja em Sultanahmet sob o comando de Ali Eroglu, cuja família é da Capadócia, bela região na Turquia central onde seus parentes têm uma fábrica de tapetes.

Algumas peças de Eroglu são novas e industrializadas, cópias de tapetes tradicionais. Ele tem orgulho dos produtos, e como já era esperado, um de seus tapetes rapidamente começa a gritar meu nome. É a peça mais singular que já tinha visto, uma réplica de um tapete de dote, de Ushak, na Turquia oriental.

Provavelmente não é de origem islâmica, pois retrata uma vila primitiva completa: pessoas, casas, gado, ovelhas, pássaros, camelos, peixes e ferramentas de agricultura, trançados em sua trama felpuda e tingida com corantes vegetais.

A artesã, que diz levar cinco meses para terminar um tapete, vai até o tear, quando começa a demonstrar, na prática, seu ofício. Habilmente, pega um pedaço de fio e dá um nó duplo, cortando o fio do tamanho certo. Cada centímetro quadrado, ela diz, contém 20 pequenos nós, que formam um dos mais resistentes tapetes do mundo.

Curiosidade

Para aqueles que querem se casar a tradição nesta região manda que o pretendente e os pais devem ir à casa da garota para falar com os pais dela enquanto a jovem prepara café na cozinha – e acaba escutando tudo atrás da porta.

Se os mais velhos se entrosarem, o pai da garota pede a ela que traga café. A garota vem à sala, mas não pode falar. Se ela gostar do garoto, vai colocar açúcar na xícara ele. Se não gostar, deixará o café muito salgado. A história segue com todos observando o rapaz. Se ele quiser muito se casar com a garota, mesmo que o café esteja salgado, sorri como se estivesse doce.

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