Descubra o que fazer em Punta del Leste e Montevidéu

Dec 31, 1969
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Cidades históricas, parrillas, tango, cassinos e praias. Se faltavam motivos convincentes para você, finalmente, incluir o Uruguai em seus planos de férias aí está um pacote com cinco deles. E pode acrescentar outros nessa lista, como os preços em conta nos hotéis e restaurantes e a facilidade de viajar pelo país. Afinal, o Uruguai é pequeno, tem cerca de 600 km de litoral. Com um carro em mãos é possível conhecer em uma única semana suas principais atrações, da histórica Colônia de Sacramento à badalada Punta del Leste, passando pela charmosa capital Montevidéu. Uma viagem tranquila e agradável por um país encantador. Se você já conhece Buenos Aires chegou a hora de ir para lá. 

Montevidéu

Mercado del Puerto - UruguaiMontevidéu tem muitas semelhanças com Buenos Aires. E as razões são históricas. Ambas provém da mesma origem cultural às margens do Rio da Prata, a majestosa via fluvial que muito bem serviu aos navegadores espanhóis.

Montevidéu também nutre a paixão pelo tango e pelas parrillas. É dona de um charme meio europeu, presente nas fachadas de prédios do século 19, no outono dourado pelas folhas de plátanos das avenidas e até no hábito de vestir-se com elegância como convém aos dias frios do inverno naquela latitude. Trata-se, porém, de uma cidade menor, mais calma e amigável quando comparada a capital argentina, ainda que por ela circulem dois milhões de pessoas, a metade da população do país.

Qualquer passeio em Montevidéu começa pela Rambla, a avenida “beira-mar”, principal referência para circular pela cidade. Os 22 quilômetros da avenida passa diante de uma sequência de praias que nem parecem de rio, com faixas de areia largas e calçadão para caminhar à moda uruguaia, ou seja, com a cuia de chimarrão nas mãos. Através da Rambla dá para chegar rapidinho do porto, cheio de contâiners empilhados e grandes navios cargueiros ancorando, até os bairros mais afastados de Carrasco e Pocitos.

O porto, no entanto, não é um local turístico, a não ser para quem vai embarcar no Buquebus, o ferryboat que vai para Buenos Aires. O que realmente interessa para o visitante está bem em frente a ele, do outro lado da avenida, no Mercado del Puerto, que abriga restaurantes de parrillas com seus autênticos “asadores” à mostra. Foi construído há 140 anos, período em que funcionou primeiro como depósito de mercadorias e mercado de frutas, antes de virar um centro gastronômico em 1960. Tem um astral todo especial. Preserva o piso de pedras, as arcadas metálicas e o antigo relógio de madeira ao centro. No ambiente enfumaçado, pessoas sentam-se ao balcão para provar suculentos bifes de chorizo e peixes grelhados de quase dez centímetros de altura enquanto músicos de violão em punho chegam tocando milongas e tangos antigos. Do lado de fora, há um calçadão tomado por mesas com sombrinhas ao lado de pequenas bancas onde artesãos exibem seus trabalhos. 

O porto e o mercado estão na extremidade da chamada Ciudad Vieja, Cidade Velha, o primeiro núcleo urbano da San Felipe e Santiago de Montevideo. A cidade cresceu a partir dali, desde 1786. Mas o bairro histórico anda decadente. Uma pena. As ruas estreitas e os casarões centenários mereciam uma restauração. A exceção é a Calle – ou “cadje” na pronúncia local – Sarandí. Essa sim, foi restaurada e transformada em calçadão exclusivo para pedestres. Tem lojas e cafés bacanas onde circulam os executivos que trabalham nas sedes dos principais bancos que estão por ali. Na altura do número 683 fica a Galeria Torres Garcia, que exibe mostra permanente com as principais obras desse pintor construtivista uruguaio.

A Calle Sarandí conduz a Plaza Matriz, uma praça pequena que fica linda à noite com a iluminação pública e abriga uma alegre feirinha de antiguidades aos domingos, e a grandiosa Plaza Independencia, o coração de Montevidéu. Na Praça Independência estão alguns ícones da cidade, como o monumento de homenagem ao general Artigas, o herói nacional; o Palácio Salvo, construído em 1922, e que era nessa época o mais alto arranha-céu da América do Sul; e o Teatro Solís, em cujo palco de 1857 acontecem exibições variadas, de ópera a shows de rock, de quinta à domingo (confira a programação no site teatrosolis.org.uy). É bom passar um tempo ali na Praça vendo a cidade passar, e se o frio não estiver demais lá pelas 18h, vai ver alguns membros da guarda nacional marchando solenemente em direção da estátua de Artigas para arriar a bandeira uruguaia, cerimônia que se repete todo santo dia.

Plaza Independência - UruguaiDa Plaza Independencia parte a Avenida 18 de Julio, outra artéria de Montevidéu. Larga e sempre muito movimentada, leva ao Estádio Centenário, palco da primeira final de Copa de Mundo, disputada em 1930. É possível conhecer o estádio, andar pelas arquibancadas e chegar ao lado do alambrado, pertinho do campo onde a seleção brasileira goleou a do Uruguai por 4x0 em junho passado em jogo das Eliminatórias. Há um museu do futebol interessante dentro das dependências do Centenário, cuja peça mais importante é a bola usada na final da primeira Copa do Mundo.

De volta à Rambla, fugindo do centro, há outros lugares que valem a visita. Um deles é a Fortaleza do Cerro, que fica no alto de uma colina e oferece a melhor vista da cidade e do Rio da Prata. Há no local um forte militar espanhol construído em 1809 que hoje abriga um museu de armas com um acervo de canhões, metralhadoras e espingardas capaz de deixar qualquer colecionador louco de inveja. No sentido oposto, o bairro de Carrasco, também conhecido como o bairro dos americanos, na ponta extrema de Montevidéu, concentra as maiores mansões dos endinheirados uruguaios. E se quiser sair à noite não perca Pocitos, para onde migrou o melhor da vida noturna da cidade. Em dois quarteirões da Avenida Herrera estão os pubs mais disputados, como o Utopia e o Barba Roja, além de alguns dos melhores restaurantes da cidade. O Uruguai é um país barato para os brasileiros, e os Reais estão rendendo bem por lá, mais até do que Buenos Aires. 

Colônia de Sacramento

Farol no centro histórico de Colônia del SacramentoSaindo da capital uruguaia pela Rambla costaneira tendo o Rio da Prata a sua esquerda logo surge a saída para a Ruta 1, que 177 km adiante termina em Colônia de Sacramento. A estrada é uma reta só, duplicada em quase toda a extensão. Mas o limite de velocidade em 90km/h chega a ser entediante. E é aconselhável respeitá-lo tendo em vista a quantidade de placas alertando para radares fotográficos. Sobra tempo então para admirar a paisagem do caminho, uma vastidão de campos verdes cheio de vaquinhas pastando tranquilas. O Uruguai inteiro é praticamente um grande pasto de gado e a pecuária, a principal atividade econômica do país, que tem quatro bois para cada habitante.

Quando uma longa fileira de palmeiras surgir em ambas às margens da rodovia é sinal de que você estará chegando à Colônia de Sacramento, uma agradável cidade histórica fundada em 1680 por portugueses na embocadura do Rio da Prata. Durante um século foi cobiçada pelos espanhóis em successivas tentativas de conquista, até ser incorporada ao país, já independente, no começo do século 19.

Colônia tem hoje cerca de 100 mil habitantes, mas suas atrações turísticas estão todas concentradas no centro antigo, tombado como Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco em 1995. Lembra um pouco a carioca Paraty, não na aparência mas no estilo. As ruas de calçamento de pedras e as casas coloniais coloridas preservam o clima de antigamente. A fiação elétrica é subterrânea para evitar a poluição visual com fios e postes à mostra, mantendo o charme noturno proporcionado pelas velhas luminárias amarelas. Vale um passeio encantador. E como o bairro histórico é pequeno, não tem mais do que uma dúzia de ruas e uma só praça, dá para ver tudo num único dia, como fazem os argentinos nos finais de semana.

Ao contrário de Punta del Leste, que só ferve no verão, Colônia recebe turistas o ano todo por conta da proximidade com Buenos Aires, que fica do outro lado do Rio da Prata, separada por uma travessia de barco de 50 minutos. À noite dá para ver as luzes da capital argentina brilhando no horizonte.

Mas o melhor mesmo é ficar um pouco mais, fazendo um ou dois pernoites em alguma posada de charme no centro histórico, como a Posada del Virrey, instalada num antigo casarão espanhol restaurado. Assim, fica mais fácil entrar no ritmo local, o slow motion, e ainda curtir uma noitada no Colonia Rock Pub, com bom chopp uruguaio e música ao vivo.

Qualquer passeio em Colônia de Sacramento vai incluir uma caminhada pela Plaza Mayor; uma parada diante do portal da antiga cidade e das ruínas das muralhas que protegiam os primórdios de Colônia de Sacramento contra invasores; uma subida ao alto do farol, que até hoje orienta os navegadores pelo Rio da Prata; e um momento para contemplação ao lado da lanchas no pier, de preferência ao pôr-do-sol. Tudo isso, intercalado por pitstops gastronômicos nos bons restaurantes e cafés que há aos montes por ali.

Uma curiosidade local: a rua mais famosa é a Calle de Los Suspiros, uma ruela com antiquíssimas construções em barro e pedra, que ganhou um colorido por conta dos artistas plásticos que compraram as casas e abriram galerias de arte para vender seus trabalhos. Diz a lenda que o nome poético da tal rua foi dado por causa de um prostíbulo que existia ali e quem passava, dependendo do horário, podia ouvir os “suspiros de amor” emanando de dentro da casa. 

Punta del Leste

Píer de Punta del Este - Lanchas Iates UruguaiSaindo de Colônia de Sacramento de novo pela Ruta 1 a placa logo indica: Punta del Leste 271 km. Parece pouco, mas com limite de velocidade a 90 km/h lá se vão quase quatro horas cruzando metade da costa uruguaia para alcançar um dos mais famosos balneários do Atlântico, destino da maioria dos todos os turistas estrangeiros que vão ao Uruguai. Punta del Leste tem apenas 10 mil moradores fixos, população que pula para 500 mil durante o verão, e só no verão, entre dezembro e março.

Antes, porém, uma parada para conhecer o Casapueblo, o célebre palacete branco que parece feito de marsmellow e que virou o símbolo mais divulgado do Uruguai.

Construído num penhasco à beira-mar no bairro de Punta Ballena, o Casapueblo, fruto da imaginação do artista plástico Carlos Vilaró, é um misto de hotel e museu, que abriga um acervo de pinturas do próprio Vilaró. O bar avarandado é aberto ao público durante toda a semana, e tem mais movimento  às tardes de sexta-feira. Vinícius de Moraes, quando o trabalhou como diplomata em Montevidéu entre 1958 e 1960 era um dos habitués mais frequentes. O poetinha era grande amigo de Vilaró, com quem compartilhava os salões do Casapueblo nos seus áureos tempos com outros convidados ilustres como Pablo Picasso, Salvador Dalí e Pablo Neruda. Personagens que ajudaram a moldar a fama mundo afora do balneário uruguaio como a terra das mansões, cassinos, iates e altas baladas.

Punta del Leste fica na ponta de uma península com 40 km de costa. A partir dali o mar não se mistura mais com o Rio da Prata. A água é azul, mas gelada. De um lado da península, voltado para o continente, as águas são calmas e rasas, como na Playa Mansa, enquanto do outro, virado para o mar aberto, há ondas fortes para surfe, como na Playa Brava. No ponto de união entre rio e mar foi fincado na areia da praia o monumento conhecido com um nome não muito estimulante, a Mão do Afogado, no qual cinco dedos gigantes parecem emergir da terra como se pedisse por socorro.

Durante o verão, as praias estão todas lotadas e ficam mais ou menos concorridas conforme o modismo da estação. Mas o movimento nas praias só começa à tarde pois de manhã Punta dorme, recuperando-se da balada da noite anterior. Quase ninguém sai da cama antes das 11h. Punta tem vocação noturna. O que vale é cair na farra. Quando escurece é que a lugar ferve para valer, com restaurantes cheios, caça-níqueis a pleno vapor e pistas das danceterias abarrotadas até de manhã. O reveillon então, é o auge. A virada do ano novo em Punta del Leste é uma das mais famosas da América do Sul.

Na baixa temporada, porém, não rolam as célebres festas que fizeram a fama do balneário. Os melhores restaurantes nos arredores do porto, onde se concentra boa parte da agitação noturna, nem abrem as portas. Há o incomodo do frio, venta que é uma barbaridade, e as praias ficam restritas às gaivotas. As lojas de roupas e artesanato da avenida principal, a Gorlero, imploram aos céus para passar alguém pela porta. Se quiser ver gente e encontrar agitação esqueça, espere o próximo verão.

Em compensação, os preços despencam e os cassinos continuam abertos. A única opção de divertimento nessa época é o Conrad Hotel. Você já deve ter ouvido falar dele, mesmo que só zapeando pelo programa do Amaury Junior. É um dos destinos prediletos das celebridades em Punta del Leste. Mas nem é tanto por causa do luxo dourado do hotel, inaugurado em 1997, o grande atrativo do Conrad. O que faz sucesso mesmo é o seu gigantesco cassino que funciona 24 horas o ano todo. É a maior sala de jogos da América Latina, com cerca de 500 caça-níqueis e dezenas de mesas de roletas e carteados. Quase um milhão de pessoas jogam suas fichas ali a cada ano. Há inclusive clubes privados de pôquer para jogadores vips que, em troca dos milhões gastos nos jogos, ganham cortesias de passagens aéreas e suítes especiais. Quem não liga para o cassino, pode aproveitar os shows que o Conrad promove com artistas internacionais (mas só nos feriadões), o spa ou, no mínimo, um requintado jantar num dos quatro restaurantes do hotel. O Conrad é um praticamente um destino por si só e pode muito bem justificar uma esticada à Punta, mesmo na melancolia da baixa temporada. 

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