Viaje pelas paisagens e experimente a rica culinária do Vietnã

Dec 31, 1969
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Existem lugares que muitos turistas gostariam de conhecer e nem sabem direito o porquê. O Vietnã é um deles. A imagem que se tem de lá mistura o exotismo das culturas orientais, a beleza das paisagens de alguns filmes e a curiosidade em conhecer, ao vivo, o povo que nem os americanos conseguiram derrotar. Há, porém, alguns contras, como a distância enorme do Brasil, o alto preço das passagens aéreas e os vôos repletos de escalas, que parecem intermináveis.

Entretanto, o custo de vida lá é muito baixo e compensa o valor pago a mais pelas passagens. E, geralmente, não há motivos para arrependimentos.

Os primeiros dias na vietnamita

Rua em Ho Chi Minh. Trânsito confuso na antiga Saigon, VietnãOs primeiros dias em Ho Chi Minh são um misto de estado de graça e de choque. Como atravessar uma rua onde a quantidade de bicicletas é tão absurda que você não vê a calçada do outro lado? Depois de um tempo, aprende-se que o único jeito é vencê-la em etapas. Primeiro, você anda um pouquinho, pára e espera passar um grupo de bicicletas. Depois, dá outros dois passos e aguarda, novamente, que elas desviem. Em seguida, mais um passo... e assim por diante, até chegar do outro lado da rua. Uma aventura.

Como não poderia deixar de ser, algumas das principais atrações de lá estão relacionadas a Guerra do Vietnã, chamada por eles de "Guerra Americana", embora o Vietnã de hoje não tenha mais nada a ver com o daquela época. Lembranças da guerra, só mesmo para turista ver.

Os impressionantes túneis de Cu Chi, nos arredores da cidade, serviram como um complexo de galerias subterrâneas usadas pelos vietcongues para atacar os americanos. No local, é possível perceber por que os Estados Unidos perderam a guerra. No lugar de armas potentes e modernas, os vietnamitas usaram armadilhas com estacas de madeira, buracos camuflados e passagens que não levavam a lugar algum para despistar os inimigos.

O chique é ser branquela

Apesar das histórias da guerra, o modo de vida local é mesmo uma das principais curiosidades do Vietnã. Aqueles típicos chapéus cônicos de palha não são apenas peças de figurino dos filmes de Hollywood. Até hoje, mesmo nas grandes cidades, eles usam para se proteger do sol. Especialmente as mulheres, que tentam manter a pele sempre branquinha, porque este é o padrão de beleza local. Elogiar o bronzeado de uma garota é quase uma ofensa. O guarda-roupa delas também é um tanto curioso. Todas usam o 'ao dai', um tipo de túnica comprida e muito graciosa, justa nos seios e na cintura, mas aberta nas laterais, sobre uma calça larga. Não se vêem pernas, decotes ou barrigas de fora. E nem é preciso, porque a mulher vietnamita é elegante por natureza.

Culinária exótica

A base da culinária vietnamita são as carnes, principalmente de porco e de frango. Mas tem, também, a de cachorro, embora essa, felizmente, não seja tão fácil assim de se encontrar. Mas ruim mesmo deve ser o vinho (feito de arroz!) que vem com uma cobra morta dentro da garrafa! 

A maior vantagem da comida no Vietnã é que ninguém tem indigestão na hora de pagar a conta. As refeições costumam ser fartas e baratas.

O Amazonas da Ásia

O Rio Mekong (Vietnã), grande mercado flutuante no VietnãO delta do Rio Mekong, segundo eles, é um presente de Buda, que nasce no alto das montanhas do Tibete e viaja mais de 4 000 quilômetros até desaguar no mar, criando antes um estupendo emaranhado de canais. O Mekong é uma espécie de Amazonas do sudeste asiático. A água, abundante, tornou esta terra incrivelmente fértil. O delta do rio produz quase todo arroz exportado pelo Vietnã, o que não é pouco, já que o país é o segundo maior produtor mundial do gênero. Tanto que até a pipoca de lá é feita de arroz.

O Mekong também abriga curiosos mercados flutuantes, onde as pessoas circulam em canoas, vendendo toda sorte de produtos. Alguns barcos funcionam, também, como casas: na parte de cima, ficam as pessoas e, na de baixo, em gaiolas submersas, os peixes, que vão sendo criados no seu próprio habitat, até chegar a hora de serem comidos ou vendidos.

Nos ônibus, é mais fácil sair pelas janelas

O preço das passagens aéreas para o Vietnã não animam muito, mas, em compensação, viajar por terra é fácil e barato. Até porque o país é menor que o Maranhão. Aliás, o sistema de transporte de lá é bem curioso. Como os vietnamitas são baixinhos e magrinhos, o espaço em ônibus e trens é mínimo. A solução para os turistas é viajar em "minibuses", feitos para quem tem, digamos, mais de 1,60 m de altura...

Em Hoi Na, a roupa é "self-service"

Em Hoi Na, que concentra várias lojinhas de roupas, as costureiras fazem as peças na hora, sob medida, copiando manequins da Vogue por preços baixíssimos. As turistas quase enlouquecem para escolher um modelo!

Chato mesmo só o assédio dos vendedores nas ruas. No Vietnã você é abordado o tempo todo e à exaustão. Você sai do hotel, caminha um simples quarteirão e, neste espaço de 43 metros, precisa responder sete vezes que "não precisa de um táxi", quatro vezes que "não quer comprar cartão-postal" e três que "não deseja pão".

Transporte rápido e barato

Ao desembarcar em Ho Chi Minh, que é como passou a se chamar a antiga Saigon, depois da guerra, um táxi logo pega você! Lá é assim: há tantos táxis, que eles caçam os passageiros! 

A sensação de chegar à Ásia é como uma avalanche: de uma só vez. E não apenas porque, de uma hora para outra, você está  cercado por rostos orientais com curiosas máscaras tapando o nariz e a boca, para proteger da fumaça de milhares de motocicletas. É que todos parecem ter saído às ruas ao mesmo tempo, fazendo das calçadas uma extensão de suas próprias casas. Ali, os vietnamitas comem, jogam cartas, vendem coisas, cortam o cabelo, fazem a barba, costuram e, principalmente, conversam – muito e alegremente. A pobreza também é evidente, embora o Vietnã seja uma das economias que mais crescem no mundo e com mais nada da imagem que temos de um país destroçado pela guerra. As cidades pulsam, borbulham, transpiram e, claro, fazem um barulho louco.

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