Zâmbia é um lugar ideal para fazer passeios selvagens em safáris e visitar as tribos locais
Viaje para esse território árido – desenhado por savanas e rasgado pelo Rio Zambezi, das aventuras do Tarzã – para conhecer a Zâmbia, um destino com direito a passeio de elefante, safári dentro e fora d’água e contato com a cultura da tribo mukuni.
O delicado artesanato, as tradições, o negro da pele e a intensidade dos olhares sintetizam o que se pode chamar de 100% África, quase sem nenhuma influência ocidental.
Lá estão 73 etnias que formam a Zâmbia, um país seguro para o turista e que, dividido em nove províncias, tem em Lusaka sua capital. Já a tranqüila Livingstone, ao sul do país, é ponto de chegada para quem vai conhecer Victoria Falls.
Para chegar até a Zâmbia, é preciso fazer uma escala na África do Sul. Os vôos saem de São Paulo e levam oito horas até o aeroporto de Johannesburgo. De lá, vão direto pra Livingstone em 1h30. O inglês é o idioma oficial, herança dos colonizadores, mas a língua bantu também é bastante utilizada pelos nativos.
Surpresas em Livingstone
Livingstone vem de Dr. David Livingstone, explorador britânico que chegou por aquelas bandas em 1855. Detalhe: foi o primeiro homem branco de que se tem notícia a ter a glória de avistar a beleza das cataratas. Certamente, fez bem mais do que isso. Dr. Liv, como é chamado nos dias atuais, dedicou sua vida em prol dos menos favorecidos. Lutou contra a escravatura, levou instrução aos africanos e fez diferença em suas vidas. A rainha Victoria ganhou a honra de ter seu nome eternizado nas cataratas. A cidade ficou com o dele.
O tempo passou e hoje Livingstone é a principal referência turística da Zâmbia. O melhor: ainda é desconhecida. Também é ideal para quem gosta de esportes radicais, como o bungee jumping. O de lá proporciona 110 metros de queda livre a partir da ponte que faz a divisa da Zâmbia com o Zimbábue. Precisa ter coragem.
Mas se o seu caso for mais curtir o contato com a natureza, não vai faltar diversão: safáris fotográfios, um pôr-do-sol estonteante e passeios em cima de elefantes. O contato com a cultura local fica por conta de uma visita aos mukuni.
Quem pode bancar um serviço cinco estrelas vai se esbaldar na melhor opção de hospedagem da região, The Royal Livingstone, um hotel no estilo colonial, às margens do Rio Zambezi, com serviço impecável e gastronomia de primeira.
Deguste o Zambezi
O rio corre, hipnotiza e segue seu rumo. Não é nada difícil ficar horas a observar seu curso até vê-lo cair e se transformar na maior queda d’água do mundo, que provoca um magnífico spray.
Mesmo a 20 quilômetros de distância, na temporada de chuva, é possível observar a nuvem, que parece fumaça, mas é apenas água.
Mosi-oa-tunya, na língua tonga, quer dizer: água que nasce no ar ou fumaça que troveja. Assim o povo local reverencia as cataratas que, desde 1989, são um Patrimônio da Humanidade pela Unesco.
Para absorver o impacto e boa energia de Victoria Falls, o ideal é uma visita ao Parque Nacional Mosi-Oa-Tunya. A cada travessia nas pontes, que levam a um lado e a outro do parque, os turistas tomam um banho espetacular. São milhões de gotículas que encharcam, divertem e renovam. É possível ficar cara a cara com a imensa queda d’água e ter a noção do que é aquele volume todo, que cai a pouco mais de cem metros de altura.
De dentro do parque você encontra o melhor ângulo para fotografar as cataratas. Mas vá preparado para proteger a câmera porque ninguém sai de lá seco. Há uma barraquinha que aluga capa, guarda-chuva e chinelos. Mas o mais divertido mesmo é tomar um belo banho de spray. Para ter uma completa noção da imensidão da catarata, faça um sobrevôo de helicóptero e tire muitas fotos.
No lombo do elefante

O despertador toca bem cedo quando se tem um safári na agenda. Conselho: vá agasalhado porque o Land Rover é aberto e faz frio nas primeiras horas da manhã. Prepare o espírito, ponha a câmera fotográfica nas mãos e adrenalina na mochila. O que você provavelmente verá: girafas, zebras, rinocerontes e elefantes. Quem não será visto na Zâmbia: o leão. Para vê-lo, é preciso dar um pulinho em países vizinhos, Botsuana ou Namíbia – há passeios de um dia, ida e volta. Mas, mesmo assim, nada é garantido na savana. Os leões podem não aparecer.
Mesmo sem rei da selva, o resto da turma anima a programação do safári. Ao final das três horas circulando pela savana em busca de animais, um piquenique é montado pelo guia da expedição. Depois do safári em terra firme, chega a hora de se aventurar na água, a bordo de uma lancha que percorre uma parte do Rio Zambezi em busca de crocodilos e hipopótamos.
A paisagem é deslumbrante, repleta de pássaros. Quem quiser apenas relaxar, degustar a cerveja local – Mosi – e beliscar outros petiscos para curtir o entardecer, pode sair em um barco mais lento e confortável, exclusivo para ver o pôr-do-sol – coisa caprichada naqueles cantos do mundo.
Passear em cima de elefantes parece algo incomum? Talvez seja em um primeiro momento. Mas depois da estréia se torna uma delícia – e sempre se quer repetir. Três banquinhos, tipo poltronas improvisadas, são acomodadas em cima do bichão. Um fica reservado para o guia, uma espécie de motorista. O passeio é emocionante, a começar pela altura a que você fica do chão. Para subir nos elefantes são montadas plataformas. Depois, é um sacolejar constante com a paisagem africana no horizonte.
Os elefantes africanos são dóceis, mesmo os selvagens – e os que são destinados a fazer os passeios foram treinados para isso. No final, você tem até direito de alimentar o paquiderme e fazer a tradicional sessão de fotos.
Charme colonial

A arquitetura colonial do século 18 toma conta da atmosfera que envolve o The Royal Livingstone. Os prédios horizontais de apenas dois andares, que acomodam os 174 apartamentos do hotel, se esparramam por um generoso jardim, à beira do Rio Zambezi.
Dos confortáveis quartos em tons pastéis é possível escutar o som da queda d’água das cataratas. Da sacada do apartamento a paisagem é tranqüila, mas pode ser quebrada com a visita surpresa de um macaquinho em busca de alimento. Nada que não possa ser contornado mantendo as portas trancadas. Eles não são agressivos, apenas rápidos e espertos, ou seja, sabem abrir portas e bolsas. Fique de olho.
A piscina retangular, rodeada de espreguiçadeiras brancas que parecem ter sido colocadas ali milimetricamente, fica a poucos metros do rio. O deque de madeira que abriga um bar, de onde concorridos drinques saem no final de tarde, está literalmente em cima do Zambezi. A tenda de massagem oferece a melhor vista para a nuvem de fumaça das cataratas. E o restaurante tem uma área externa com vista para o rio durante o dia e iluminada pelas estrelas no turno da noite. Isso sem falar nas mesas dispostas embaixo das árvores com velas e lampiões.
Mukuni, os donos da casa
Quando Dr. Livingstone chegou ao sul da Zâmbia, encontrou os mukuni. Ou melhor, eles o encontraram. Dá para imaginar uma tribo africana se deparando com um europeu de pele branquíssima? Passado o natural estranhamento, o explorador ganhou o respeito e confiança dos nativos. Livingstone morreu na África, em 1873, e os mukuni foram ao seu funeral para prestar solenidade. O explorador é muito estimado até hoje, como foi possível observar ao conhecer a aldeia de Leya e conversar com alguns moradores.
Vale a pena agendar uma visita à tribo mukuni. Os nativos estão acostumados a receber turistas. Não mudam de comportamento nem recriam a aldeia em função do turismo. O que lá se vê é a mais fiel cópia da realidade em que vivem.
A bordo de um caminhão com tração nas quatro rodas o visitante sacoleja por uma estrada de terra com muitos buracos. Depois de cerca de meia hora, chega-se à aldeia. Um guia espera o turista e dá início ao tour. A primeira impressão é de um rastro de pobreza, que logo passa.
A aldeia é organizada e as tarefas bem divididas. Não falta alimento, as crianças têm acesso à escola, a criminalidade é zero, nunca houve registro de crimes hediondos e a cadeia está vazia. Ela é usada apenas para isolar, nunca mais do que por dois dias, aqueles que se excedem no consumo de cerveja artesanal que é produzida ali mesmo.
Conhecer como vive uma tribo africana é uma grande experiência. Impressiona a fibra das mulheres ao trabalhar e cuidar de seus filhos.
Uma das vantagens de visitar esse pedaço da Zâmbia é justamente poder desfrutar da África negra no seu sentido mais genuíno, com tranqüilidade, com uma razoável infraestrutura e uma ótima opção de hospedagem confortável. Se você fizer essa viagem, certamente será uma experiência marcante.
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Clique aqui para se autenticar.- Publicado em 10/05/2012 18:04 - Atualizado em 14/05/2012 13:23
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